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Libere a energia.

Se você carregar muito a bateria de um aparelho, pode acontecer de ela não suportar tanta carga e pifar. Aplique a mesma idéia para o seu corpo. Pense nas tensões que suporta ao longo do dia. Para o organismo não sair prejudicado por ter de aguentar tamanha pressão, o ideal é descarregar parte dessa energia.

Essa é a proposta da bioenergética, uma técnica que promete tratar casos de ansiedade e até de síndrome do pânico, transtorno psicológico no qual a pessoa se imagina ameaçada diante de situações normais.

A terapia, que está fazendo sucesso em consultórios, usa atividades físicas para ajudar os pacientes a se libertar do stress. “Conseguimos equilibrar o corpo, reestabelecendo o fluxo de energia”, explica a psicoterapeuta corporal Cecília Valentim, de São Paulo.

A bioenergética foi criada pelo médico americano Alexander Lowen. Ele aprendeu a base da terapia com seu psicanalista Wilhelm Reich (autor do livro A função do orgasmo). Depois, fez algumas adaptações e pregou pelo mundo afora a importância de liberar as emoções por meio de exercícios. A técnica vem sendo aplicada no Brasil desde a década de 70. Mas ganhou mais fama nos últimos anos. Esse fenômeno talvez se explique pelo aumento das situações estressantes. Até mesmo grandes empresas estão adotando a bioenergética. O psicoterapeuta Edson França, do Instituto de Análise Bioenergética, ensina os exercícios para os funcionários de uma empresa de telecomunicações de São Paulo. “Eles precisam aprender a relaxar no trabalho”, diz. De acordo com a psicoterapeuta Cecília, as pressões do cotidiano tensionam os músculos e brecam a energia no organismo, o que facilitaria o surgimento de doenças.

Antes de orientar os exercícios da terapia, o especialista precisa conhecer a vida do paciente. “É necessário criar um vínculo com a pessoa. Só começamos a aplicar as atividades quando ela estiver preparada”, afirma Flávia Araña, psicoterapeuta corporal de São Paulo. “Identificamos alguns sinais no corpo que nos ajudam a decifrar o paciente. Por exemplo, o queixo muito projetado para a frente significa raiva contida”, diz Flávia. “É uma análise corporal”, sintetiza Cecília.

Depois dessa fase, é aplicada gradativamente uma série de exercícios que visam principalmente melhorar a respiração das pessoas e estimular contato delas com o corpo. Um dos principais é chamado de grounding. De pé, o paciente flexiona os joelhos e vai dobrando o corpo até a cabeça ficar próxima dos tornozelos. “O grounding faz com que ele se fixe no chão, tomando contato com a realidade e aprendendo a conhecer e a lidar mais com o próprio corpo”, diz Flávia. Essa atividade também é ótima para aliviar o stress.

Também são feitos exercícios para relaxar os músculos. Quem é adepto dessa prática é o massagista Marcos Ablas, 35 anos, de São Paulo. Há três anos, quando passou por problemas emocionais, ele procurou ajuda na bioenergética. “Consegui controlar minha ansiedade e recuperei a auto-estima”, afirma.

Quando o paciente já estiver no ponto, é a vez de uma atividade que literalmente libera a raiva. Trata-se de bater em almofadas com a mão ou com uma raquete. Nesse momento, a pessoa pode imaginar estar enfrentando alguém que o prejudicou ou uma situação ruim. “Você descarrega a sua adrenalina e se sente aliviado”, diz Flávia. É óbvio que isso precisa ser feito dentro do contexto do consultório. Não dá para sair por aí batendo no que encontrar pela frente. “É preciso usar essa energia de forma correta”, ensina Cecília. “Se o paciente aprende a manuseá-la, não vai sair dando soco em ninguém.”

Para reforçar o tratamento contra a síndrome do pânico que a atormenta há quatro anos, a vendedora paulista Simone Marques, 25 anos, recorreu à bioenergética, principalmente ao exercício de golpes na almofada. “Às vezes imagino estar enfrentando alguma situação angustiante”, conta Simone, que também toma remédios para superar o distúrbio. Em situações que exigem mais cuidados, como a de Simone, é necessário contar com o apoio do psiquiatra. “Já estou melhor. A terapia está me ajudando a encarar os problemas”, completa.

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